Noite fraternal



Eram mais de quatro horas da madrugada e eu não dormia e o motivo dessa vez eu já sabia : Era você. Lembrei que a poucos instantes nós estávamos juntos, e agora já estávamos separados. Peguei-me voltando as cenas na mente de uma maneira bem lentamente mesmo, como se tudo fosse um filme e eu estivesse voltando-o para entendê-lo melhor. Lembrei que você me chamou para ir ao seu trabalho e depois me convidou para ir à casa onde você estava passando a noite pois estava só, lembrei que falou para eu te ligar e ir somente depois das onze e meia da noite pois nessa hora não  teria mais movimento na rua da casa. Lembrei também que você me falou que iríamos ver um filme e acabamos vendo aquele mesmo da sessão noturna que passa depois da novela da Globo. Tomamos Coca-Cola e comemos enroladinhos de queijo, nunca esqueço a cena de nós dois no sofá sem nem poder tocar os pés no chão, pois somos pequenos de mais. Depois você se deitou no colchão que estava no chão da sala que nos acolhia naquele momento de alegrias temporárias. Você me olhos e bateu a mão em cima do colchão falando para mim ‘’ Vem ‘’, demorei mais fui sim, deitamos pertinho e você começou a jogar travesseiros em mim, sorrimos juntos até que o tempo se alto congelou e ficamos alguns segundos ou, minutos até, olhando nos olhos um e do outros, os seus olhos negros e pequeninos atraiam os meus castanhos cor de mel.
Logo o filme acabou e desligamos todas as luzes da casa ficamos somente com uns poucos e mínimos raios de luz sobre nossos rostos a quase mais distante de ser meia luz. Você jogou a perna para cima de mim e foi fazendo carinhos até se cansar e eu começar tocar os seus frios e pequenos pés em baixo do cobertor, simples, mas constantes carinhos naquela noite fraternal. Não tivemos nada mais do que isso naquela noite, mas mesmo assim ei me senti feliz, foi simples, mas me fez bem, muito bem mesmo de um jeito que eu jamais tinha me sentido em toda a minha pobre vida na terra. Quando fui embora lá pelas mais de quatro e meia da madrugada segurei a sua mão e te olhei bem fundo e dizemos um para o outro : - É né... É. Então até logo... Boa noite. – Confesso que queria pular em você assim como um animal faminto pula em sua presa. Tirei os sapatos e caminhei pelas ruas desertas da cidade, chorei e pensei ‘’ Eu tentei ‘’.


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