O Caderno azul de Morgana


“Eu estive esperando a minha vida toda, apenas para encontrar alguém como você. E, agora que o encontrei não sei mais viver sem você ao meu lado. Sem olhar nos seus olhos e sem ouvir a sua voz a sussurrar que me ama.
              Ter você em minha vida é tão bom e gostoso quanto comer uma panela de brigadeiro de colher. É flutuar sobre as nuvens, sorrir ao ler uma mensagem onde você diz que me ama às quatro horas da madrugada é tudo e ao mesmo tempo nada. O sentimento mais puro, confuso e radiante que jamais pensei sentir.
            Você me mostrou muito mais do que eu imaginava. Guiou-me pelos desertos da vida e me apresentou a forma mais singela de se cuidar de alguém. “Sinto “que agora tenho algo “O seu amor” para me apoiar e ser feliz e alguém” Você” para me transbordar mais e mais a cada hora do meu dia. Tê-lo em minha vida é a minha maior alegria. Minha inspiração.”
            Essa era a primeira página do caderno azul de Morgana que ela rasgou se imaginando em um daqueles filmes em que as garotinhas rasgam fotos e páginas do diário chorando. Mas não, ela não estava chorando, e nem era uma garotinha.
            Seu caderno azul era uma das únicas amizades que tinha um lugar onde ela podia colocar para fora todos os seus medos e lamentos. Mas desses tempos pra cá ela não falava nem escrevera. Na verdade pelo que estava percebendo não estava mais fazendo nada. O caderno azul não tinha mais importância para Morgana. Estava jogado em um canto qualquer de seu apartamento com algumas páginas amassadas e outras rasgadas.  Sua vida, sua mente estavam tão confusas que ela, mesmo sendo tão segura de si e tendo aprendido tantas coisas em seus vinte e cinco anos de vida não sabia como lidar com certas coisas. Certos erros, e algumas pessoas. Morgana então se lembrará do quanto era feliz quando estava em seu mundo, com seu caderno em mãos. Lembrava-se que foram naquelas folhas em uma noite se insônia que ela escreverá alguns contos de romance. Romance este que para ela só seria possível acontecer em sua imaginação e naquelas folhas. Então, algo novo surgirá na vida de Morgana. Estar sozinha não era mais o seu desejo. E, ela estava com medo disso tudo. Odiava descobrir coisas novas. Principalmente quando era sobre si mesma. Procurou então seu caderno azul na expectativa de conseguir se reencontrar, mais não o encontrara em seu pequeno apartamento bagunçado.
             Alguns anos se passaram desde a primeira página não mais em branco do caderno azul de Morgana. E, ela ainda não sabia como lidar com tudo aquilo. Seus medos continuavam ali. E, ela errara cada vez mais. Outros erros, outras palavras. Mas ainda, assim, era a mesma Morgana que escreverá nas páginas em branco do tal caderno azul


Monique Cordeiro e Marianne Malves


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