Fantasma da meia noite


Estou novamente escrevendo mesmo sabendo que você não irá ler.
Sabe hoje as lágrimas molharam e molharam o meu rosto. Quando ouvi a música da caixinha que ficava na cabeceira de nossa cama. Lembrei-me que você era muito nova para ter partido daquela maneira. Não conformado, joguei a caixinha contra a parede. E, caí em desespero quando avistei o que tinha feito. Ainda posso te ouvir cantando no chuveiro, você era tão linda.
Converso com as paredes na intensão de ouvir alguma resposta, que venha do som da tua voz. Já não saio faz alguns meses. Sempre peço para alguém fazer isso ou aquilo pra mim. Estou me sentindo um estorvo na vida dessas pessoas. E, foi justamente por isso que escrevo esta carta. A casa irá ficar um pouco mais vazia agora. Com certeza não restará quase nada de nós. Mas, tenho certeza que será melhor que este vazio em meus braços.
O meu coração não se contenta mais apenas com as lembranças. E, eu tenho estado bastante doente por causa desta solidão. Sei que você me fez prometer que seguiria em frente. Mais sou fraco e sem você me tornei um inútil e já não suporto as pessoas tentando-me dizer que devo superar. Sei que talvez, não nos encontremos. Mas, pretendo ir ao seu encontro.
E o corpo de Luid foi encontrado sete dias depois da carta datada, caído na sala abraçado a uma foto e um vidro de cianureto próximo ao corpo.

Cleiton Machado

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