Extraído de Celebration


       E na prega que tudo acontece.  Como num sonho, surge e depois se esconde, desdobrando-se num sol, reagrupando-se em pequenas dobras ou tombando novamente em pregas ainda mais firmes. Abra o coração dessas pregas para encontrar o gênio criador. A prega ém costurada para ocultar o pensamento interior capaz de brincar de pega-esconde sem emitir um som.
A beleza de uma simples prega está onde ela não deveria estar, como a memória com todas as outras que já se assentavam lá antes. E em seguida uma prega precisa não um enfeite supéfluo, ou babado, ali presente por acaso. Uma dessas infinitas pregas que guardam o seu mistério, curvada como a dobra de uma carta com lacre escarlate numa bandeja de prata.
Hoje a criação entrou em parafuso. cenários não existem mais. A imagem congelada, o tempo de tomar o seu tempo, só para sentir como é. Acabou-se. Não se pode demorar numa ágina, devemos virá-las mais depressa, fechar o livro, pô-lo de lado  e abrir outro.
Por quê? Nunca há tempo suficiente. Devemos prosseguir sempre, jamais cair no caminho, nunca um passo em falso, nunca uma ruga, sempre do lado certo, agarrar a ocasião, moldá-la na mente, trabalhá-la e fazê-la surgir.
As coisas acontecem diferentemente. Há o começo, um ponto que se desenvolve, que se torna uma linha, uma cor, ou uma forma de ser sacudida para fora, dobrando novamente, golpeada para combinar com a idéia do criador.



Sonia Rykiel

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