Entrevista

Estilista Andrea Garcia, da marca Pilar

 

                     Quem é Andrea Garcia:
Como toda criança, quando era pequena Andréa Garcia também se encantava com os vestidos de sua avó, uma espanhola que fazia as roupas para as próprias filhas. Mas não é isso que diferencia o seu trabalho hoje como estilista. 
Andréa estudou estilismo na Santa Marcelina e fez especialização na Parsons School of  Design, em Nova York. Ainda na época da faculdade, foi assistente de estilo de Walter Rodrigues. Em sua passagem pelo ateliê de W, como o estilista é carinhosamente chamado, batizou cada um dos manequins com um apelido.  
Após aprender com Walter um pouco sobre a arte da construção de roupas, Andréa ainda desenvolveu coleções para Iódice e Fórum. Durante o tempo em que integrou a equipe de Tufi Duek, a estilista fazia paródias de novelas latinas, que tinham seus colegas como personagens. Cada um ganhou um nome característico deste tipo de folhetim. Para ela mesma escolheu Pilar. 
Antes de decolar em vôo solo, Andréa ainda viveu a experiência de trabalhar ao lado de Jum Nakao, no ano em que o estilista assinava o estilo da VivaVida. Ao deixar a marca, sentiu a necessidade dar vazão à sua veia criativa sem se reprimir pelas demandas do mercado ou seguir tendências. Queria criar algo com a sua identidade.  
Foi então que nasceu a pilar***, resgatando a própria alcunha em suas novelinhas representadas nos corredores da Forum. As três bolinhas do logotipo vêm do período em que Andréa trabalhava em grandes confecções. Como não podia assinar as peças que criava, deixava em cada uma delas os pequenos círculos, que hoje viraram sua marca registrada. 
A paixão de Andrea por sportswear e camisaria reflete em suas criações. A estilista explora volumes e amarrações e trabalha tecidos sofisticados e vintage em peças únicas, às vezes, em edição limitada. 
A grife cresceu e conquistou clientes, mas Andréa ainda sentia faltava uma casa própria. Depois de encontrar a ‘caixa branca’ que desejava para expor suas peças - um charmoso apartamento na rua Augusta – a estilista inaugurou, em junho deste ano, o Studio Pilar, espaço que mistura loja, showroom e ateliê, onde vende as coleções regulares da pilar*** e ainda cria vestidos de festa sob medida. Os tempos são outros, mas Andrea não perdeu a mania de apelidar manequins. A boneca que expõe as roupas na loja chama-se Samantha Jones.

EnModa: Qualquer pessoa consegue aprender a desenhar? 
AG: Claro... é como andar, nadar e falar. A diferença é que para algumas pessoas isso flui num canal de expressão muito natural comparado a outros que precisam se dedicar. 
EnModa: Para trabalhar no mundo da moda é preciso saber desenhar? 
AG: Sim. Você precisa expressar a idéia na versão bidimensional, projetá-la, estudá-la e assim chegar à forma perfeita.
EnModa: Basta saber desenhar para se criar uma coleção? O que é preciso para ser um estilista ou designer de moda? 
AG: Não. O desenho é um canal de expressão facilitador. Mas para ser um designer é necessária muita dedicação, inspiração, coerência na idéia transmitida e muito trabalho. Por isso sobra muito pouco tempo para o glamour idealizado.
EnModa: Quais são as áreas de atuação para quem estuda desenho de moda, mas não é graduado em Moda? 
AG: Ilustração de moda para a mídia. Apostando mais algumas fichas, é possível entrar num mercado fascinante de ilustração em estamparia. 
EnModa: O que são croqui e ficha técnica?
AG: Croqui é o desenho de conotação mais artística, mas de profunda importância para entender detalhes como proporções e caimento do tecido no corpo. Já a ficha técnica é o mesmo desenho chapado com detalhamentos de costura, aviamentos e detalhes de acabamento, por exemplo.
EnModa: Qual a importância do desenho de observação no aprendizado e formação do desenhista?
AG: O desenho de observação é o primeiro passo e serve como exercício condutor para a compreensão das proporções, sejam elas  caimento de um vestido no corpo ou a distancia do cotovelo ao ombro. Para criar um estilo próprio para seus croquis, o exercício de observação é de extrema importância.
EnModa: Desenho da figura humana e composição de cores são muito complexos para aprender?
AG: Para decifrar as proporções da figura humana o exercício de observação é o caminho ideal ao contrário das cores que é pura alquimia e experimentação. 
EnModa: O que é preciso para ser um bom desenhista?
AG: Desenhar é um dom em eterno desenvolvimento. Nós nascemos desenhistas e sempre nos expressaremos por esse canal, dedicação e curiosidade são aliados importantes para se obter sucesso nessa área.



 

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